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Tributação predatória: algoz do mercado da madeira


Vender é a palavra de ordem para a manutenção de qualquer empresa, em qualquer segmento. Fato! O comércio se constitui basicamente de compra e venda. Mas como operar em um mercado sem condições de produzir, vender, comprar, gerar divisas? É exatamente com essas interrogações que o setor de base florestal de Mato Grosso se encontra atualmente.

Impossibilitado de vender, o segmento encontra-se num emaranhado de problemas de origem burocrática e econômica que o tem engessado completamente, fazendo com que haja o encerramento das atividades de pequenas e grandes empresas, cortes e redução no quadro de funcionários, migração para outros setores… Enfim, a situação é a pior que a economia da madeira já enfrentou. E como se não bastasse, o país inteiro experimenta uma crise sem precedentes em todos os setores.

Preocupado, o empresário madeireiro depara-se com a maior dificuldade, que está no fato de não conseguir repassar no preço de seus produtos os altos custos enfrentados. As empresas estão vendendo, mas sem margem de lucro devido aos custos que estão aumentando, porém não é possível repassar.

Como o mercado está em crise e é geral, nacional, é preciso reduzir o valor dos produtos para manter a atividade. Está se perdendo muito para manter as empresas de portas abertas. Os fatores são diversos. Prima-se a crise nacional.

Segundo, a concorrência… Para nossos produtos saírem do estado, temos um custo mais elevado em relação à pauta (lista de preços mínimos determinada pelo Governo do Estado) do que os demais. Já em terceiro lugar, o mercado da construção civil desaqueceu. Além disso, grandes empresas consumidoras de madeira nativa – como a fábrica de colchões Castor – estão deixando de utilizar o produto por conta da burocracia.

Aquecer o mercado não é fácil. Temos que trabalhar em várias frentes. A primeira é que o Governo Federal otimize o setor da construção civil e que haja também o empenho dos governantes em incentivar que as construções utilizem madeira nativa, bem como, determinar isso em seus editais de licitação. Mato Grosso já fez isso. Devemos que buscar o mercado exterior, pois temos produtos de excelente qualidade e este continua aquecido. Há que se abrir novas frentes. Diminuindo a demanda interna pode ocorrer de aumentar o mercado.

O empresário da madeira é unânime em afirmar que dentre as maiores dificuldades que sua empresa enfrenta nos dias de hoje está o comércio, a venda da madeira. Os fornecedores exigem pagamento praticamente à vista ou adiantado. Na revenda, no mercado externo e interno, o cliente quer somente a madeira de melhor qualidade. Querem pagar com muito prazo, além de atrasos no pagamento. Atualmente há uma grande inadimplência.

Instabilidade da economia e baixa venda de produtos são os reflexos da tributação predatória com obrigações como ICMS da tora de 17% na entrada, pauta da madeira mais cara do Brasil, cobrança de Fethab (só em Mato Grosso), juros muito altos e falta de incentivo fiscal para escoamento dos produtos tem gerado grande dificuldade para produzir.

Apesar das empresas tentarem inovar em busca de clientes satisfeitos e recompensa financeira, o mercado mostra-se cada vez mais desaquecido e engessado. Devido ao quadro, a grande meta da maioria das empresas para 2017 é conseguir manter a produção; simplificar processos; cortar gastos para tentar se manter no mercado.

Outro dado preocupante é que a grande maioria do empresariado madeireiro não vê boas perspectivas para o setor. Tanto é que, cresce o número de indústriais do setor florestal que já estão diversificando seus negócios e aplicando em outros segmentos devido à baixa confiança no mercado da madeira.

Com a produção estagnada devido à crise financeira, o mercado não vê possibilidade de crescimento sem a interferência direta do governo, com uma imediata e urgente reforma tributária, econômica e trabalhista. E por falar em trabalhista, a grande maioria admite que reduziu o quadro de funcionários em até 40% nos últimos dois anos.

Num cenário mais pessimista, esses mesmos empresários admitem que já pensaram na hipótese de encerrar atividades ao avaliarem a situação que engloba altas taxas e elevada carga tributária. A frase é a mesma para todos: os custos subiram demais e não conseguimos repassar para os produtos que estão congelados há quatro anos.

Em Mato Grosso o custo de produção chega a ser 8% maior que em outros Estados. Estamos perdendo mercado e nossas vendas têm diminuído continuamente. A questão ambiental geral está no excesso de burocracia de comando e controle, e não bastasse tudo quanto há de normativas que dificultam o desenvolvimento sustentável da produção florestal, agora durante o processo de colheita haverá a obrigação de efetuar a entrada de indivíduo por indivíduo, por exemplo. Além disso, quando o Ministério do Meio Ambiente dita regras para controlar até mesmo a nomenclatura dos produtos vinculando medidas fixas ao nome dos produtos, dificulta ainda mais o acesso ao mercado consumidor.

Para reaquecer o mercado somente com união de esforços e expressivos incentivos do governo. Além de uma contundente reforma trabalhista e fiscal e injeção de recursos para capital de giro das empresas. Precisamos do governo nos auxiliando para termos incremento nas vendas e podermos concorrer com outros Estados e, assim, sobreviver.

 

*Sigfrid Kirsch é presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte do Estado de Mato Grosso (Sindusmad), filiado ao Cipem.

 


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