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Setor florestal e órgãos ambientais encaminham melhorias para a gestão em Mato Grosso


Avanços e melhorias nas práticas, gestão e processos de fiscalização foram discutidos na última semana em eventos singulares realizados pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem) na região noroeste do estado. Em duas oportunidades, a primeira em Juína e a segunda em Aripuanã, empresários e profissionais do setor de base florestal, representantes dos sindicatos associados ao Cipem, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (Amef) estiveram reunidos para dialogar, conjuntamente, sobre a gestão florestal com o objetivo de esclarecer dúvidas, explicitar processos e encaminhar soluções para as principais questões que envolvem as atividades de manejo florestal sustentável e a indústria de base florestal.

Os assuntos abordados foram colhidos na primeira etapa do programa de capacitação em gestão florestal, realizada em abril, na região.

O ponto inicial apresentado foi a realização de um estudo (com pesquisa em campo) a respeito do Coeficiente de Rendimento Volumétrico (CRV) que regula o aproveitamento de cada tora. Os resultados preliminares, colhidos nas indústrias do estado, foram apresentados pela doutora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Tatiana Paula Marques de Arruda, e demostram que o rendimento de algumas espécies estudadas até o momento, na prática, supera significativamente o índice de CRV determinado atualmente. “É claro que isso depende muito da qualidade da tora dentre outros fatores. Mas já verificamos que é possível ter rendimentos maiores e o estudo científico poderá ser usado para alterar essa norma, ou mesmo estabelecer um índice para Mato Grosso”, explicou a pesquisadora, cedida pela universidade para realizar esse trabalho com a equipe da Sema-MT.

Outro tema que gerou um amplo debate e resultou em indicações para melhorias foi sobre o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora) 2.0, que irá substituir a versão atual e promete tornar a gestão ambiental mais ágil e eficiente. Contudo, a expectativa da mudança durante o período de colheita e a falta de informações concretas na base deixou o setor florestal preocupado. Neste sentido, foi fundamental a presença do órgão ambiental e do representante da empresa que desenvolveu o sistema para esclarecerem as dúvidas e anotarem as sugestões de melhorias. “Nós queremos dar tranquilidade ao setor de que não faremos nada às pressas e sem o cuidado que o tema requer. Nossa intenção é colocar o Sisflora 2.0 em funcionamento apenas no início de 2019. Até lá, já teremos feitos os ajustes necessários para garantir a modernidade e o bom funcionamento do programa, bem como o esclarecimento das dúvidas dos empresários florestais”, disse a superintendente de Gestão Florestal da Sema-MT, Suely de Fatima Menegon Bertoldi.

De acordo com o analista de sistemas da empresa desenvolvedora (Tecnomapas), Thiago Benevides, ainda está em tempo de fazer as adequações sugeridas durante os eventos. “É muito mais fácil fazer ajustes antes de colocar a ferramenta para rodar”, pontou.

O coordenador de recursos florestais da Sema-MT, Ronnky Chaell, que representou o secretário de Meio Ambiente no evento, disse que o governo está empenhado em fazer o que for preciso para melhorar a gestão e atender as necessidades práticas do setor. “O que nós queremos é que tudo funcione direito, tanto para a Sema quanto para o setor florestal”, disse.

Ainda sobre o Sisflora 2.0, que deverá se integrar com o sistema nacional do Ibama até julho deste ano, havia uma grande dúvida sobre até onde iria o registro e a cobrança, durante a fiscalização, da cadeia de custódia. Segundo os empresários, é praticamente impossível separar por lotes a madeira depois de serrada e beneficiada, pois são processadas várias toras ao mesmo tempo. De acordo com a superintendente do Ibama em Mato grosso, Lívia Karina Passos Martins, o que precisa ser demonstrado é a origem das toras de madeira. “Os pátios precisam estar organizados para que o empresário saiba demonstrar de qual plano de manejo teve origem cada tora. É nisso que vamos focar”, esclareceu. Para Lívia, o objetivo é coibir o dano ambiental, por isso, a atenção da fiscalização do órgão está no trânsito entre o manejo e a indústria. “É nesse momento que podemos identificar se uma tora tem origem legal ou não. É nesta hora que o estimado vira real”.

A questão da padronização dos nomes científicos e populares das espécies florestais também foi discutida. Neste ponto, a capacitação dos engenheiros florestais para a realização de inventários mais precisos e a correção de informações nos planos de manejo foi defendida pela Amef. “Estamos acompanhando as discussões sobre essa questão e nos colocando como parceiros para efetuar melhorias”, disse o presidente da Amef, Benedito Carlos de Almeida.

Outra questão de nomenclatura é a que define os produtos madeireiros e que causa transtornos no momento de fiscalização onde uma peça com determinado nome vira outra por uma diferença de centímetros. O entendimento, tanto do setor quanto do Ibama é de que essa nomenclatura é meramente uma definição comercial e que, para o meio ambiente, não faz a menor diferença. “Para a fiscalização é muito melhor termos uma definição mais simples, como madeira bruta em tora, serrada, beneficiada e resíduo, como propõe o setor”, revelou Lívia. Esse assunto está sendo pauta de reuniões conduzidas pelo Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal, composto por entidades representativas de diversos estados, e os órgãos governamentais.

O vice-presidente do Cipem, Roberto Rios, ressaltou a qualidade dos debates e encaminhamentos surgidos durante os dois eventos, com destaque para a expressiva participação do público (mais de 100 pessoas). “Essa concentração de esforço é que faz a mudança acontecer. Quando o setor de base florestal se aproxima do sindicato, do Cipem, dos órgãos ambientais todo mundo sai ganhando”, finalizou.

O material resultante dos eventos em Juína e Aripuanã, somados aos demais já registrados nos eventos de abril, darão origem a uma cartilha orientativa com soluções estratégicas para o aprimoramento da atividade florestal em Mato Grosso.

 


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